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Túmulo de Esmeraldo Tarquínio é remodelado no Cemitério do Paquetá e entregue à Cidade no dia que ele completaria 85 anos.

 

Feliz do homem que pode ser lembrado como imprescindível porque sua luta foi de uma vida inteira. Feliz de quem pôde, em algum momento da caminhada, conviver com o homem imprescindível para aprender o que faz uns serem o joio e outros, o trigo. Esmeraldo Tarquínio foi o trigo e semeou uma parte da história santista, em particular, e continuará a fertilizar o inconsciente coletivo, de alguma forma, todos nos encontramos.

 

O nome de príncipe – Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho agora dá nome à sua última morada na Terra, um pedaço simbólico do chão no Cemitério do Paquetá, que até então não estava à altura de sua majestade.

 

Familiares, amigos e autoridades estiveram na manhã de ontem naquele campo santo e deram a Esmeraldo a moldura digna que a Cidade estava a lhe dever, um túmulo, 30 anos depois de sua morte.

 

O Prefeito João Paulo Papa, presente à cerimônia, teve a sensibilidade de reconhecer que a Cidade estava em débito com o homem que tantas memórias deixou nas linhas e entrelinhas de Santos. E deu-lhe, no dia em que faria 85 anos de idade, um presente. Um túmulo simples, com o nome, data de chegada a este mundo e data de volta ao Grande lar. No túmulo, ainda, uma pequena escultura da cabeça de Esmeraldo, feita pelo artista Luis Garcia Jorge, para que os mais novos “conheçam” o homem e semeador.

 

Com a licença de Esmeraldo Tarquínio Neto, também  presente e emocionado, ali estive como alguém que um dia, num banco de faculdade, conheceu um homem negro, alto, elegante e que, por gratidão eterna, elegeu como pai. Inevitável essa volta no tempo, reviver o que aqueles aspirantes a comunicadores sentiam quando a “entidade” entrava solene na classe, cachimbo acesso a espalhar um cheiro de chocolate e olhar percorrendo como um raio-x a turma barulhenta. Uma filharada que fez adotar por ele, porque além de professores precisávamos de uma mestre.

 

Feliz, também, de quem pode ter mais do que um pai nessa vida. Minha conta é de somar, quando penso no ‘seu’ Sebastião, que me deu um genética, e no Esmeraldo, que me deu a mão, um par de ouvidos atento e a visão de um campo de trigo. No fim das contas, por causa destes dois homens- que certamente eram de boa vontade e certamente devem estar em paz – sei exatamente o que quis dizer o poeta Berthold Brecht:

 

Há homens que lutam um dia e são bons;

 

Há outros que lutam um ano e são melhores;

 

Há aqueles que lutam muitos anos e são muitos bons;

 

Porém há aqueles que lutam toda vida estes são imprescindíveis.

 

FONTE: Jornal A Tribuna de 13 de abril de 2012

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